21/07/2015

Eu sempre penso

naqueles dias. De quando eu pedia o mesmo sorvete que você, de como eu me viciei naquele pastel de carne de sol, daquela pastelaria simples da rua escura. Da fome que me dava depois de me saciar de você. De como todo momento com você era especial e finito. Por você eu viajei quilômetros, eu mudei de cidade, eu insisti sabendo que o fim seria breve e a dor não.

Eu sempre penso na espontaneidade do seu sorriso quando nos conhecemos. Eu sempre penso nas nossas lágrimas nas últimas horas. Na covardia dos atos, no nó que ficou na garganta após eu engolir o choro. Na mentira que é eu dizer que estou muito bem, obrigada. Eu sempre penso na gente rindo um do outro sem motivo. Eu sempre penso que você lembrava disso com amor. Amor?

Eu me via em você, eu me via ali no fundo dos seus olhos. Eu não precisava falar, você também não. No momento exato, as palavras sumiam no aperto dos abraços. O seu abraço era o meu porto seguro. Eu devia ser o meu próprio porto seguro. Eu confiei em você. Eu confiei nos espelhos, nos cafunés e nos áudios desafinados, onde cantamos que não viveríamos um sem o outro.

Eu sempre penso em me afastar, por tudo que não dá, que não deu. A certeza de que tudo passa me conforta e enquanto não passa eu me dilacero. Eu sei que não vamos mais ficar juntos, mas eu sempre penso em ter você aqui, deitado de conchinha comigo. Trazer pra perto, sentir o cheiro, amar e errar muito. Não, não mais. Boa noite.

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