23/09/2011

(des)apego




Eu e a minha mania de escrever resolvemos trabalhar um tema que a Laris Feitosa ama e vez em quando cita: o desapego. Enquanto as mãos rabiscavam um cantinho de uma lista de exercícios, comentei o que fazia. Texto mais que prometido, merecido. Mas se estou produzindo e falo, crau. A linha entorta, a caneta cai, as palavras se perdem. E eu estava perdida entre o pouco do papel e as questões de Direito Penal.
Pesquisei imagens no Google para ilustrar e a ideal era a foto de uma mulher de braços abertos, cabelos ao vento. Foram mais de 245.000 resultados em 0,4 segundos. A ordem é abrir mão, deixar ir. A Patrícia que começou o texto não é a mesma que cata letras às quase 5 da tarde de 23 de setembro.
Postei uma foto no perfil dela. É uma frase bem original e diz 'o desapego é meu e isso ninguém tira de mim'. Ora, se a ordem é abrir mão, como não querer exatamente isso? Abrir mão é diferente de ter o prato tomado.
A palavrinha tão falada traz algo obscuro. Algo que me fez ler a frase e não entender a dubiedade. Por que a teoria não bastava, não basta. Aprendi - na prática - que para ter quem eu quero sempre comigo preciso desapegar.
Eu que cantava (ou berrava) as glórias de estar solteira (linda, solteira e feliz ♪), adorava mesmo era aquele colo de todo dia. O colo que era uma brincadeira e se tornou o mais aconchegante de todos. O colo que - para quem estava de fora - não fazia o menor sentido. O colo que me faz rir e que não dorme sem dizer todos os dias que me ama.
Eu tinha que gostar dele? Eu tinha que ter o prato tomado? Eu tinha que provar o que servi? Acho que não. Acho que eu não merecia isso. Para continuar vendo graça nos olhos mais verdes eu desapego. Eu deixo ir. 'Se voltar é seu', diz o clichê. E a Tabalipa leu a minha mente quando postou 'e quando vai embora eu fico em paz, porque ele sempre volta'.
Eu acho que a melhor imagem para a palavra é essa do balão no ar. Você pode enxergar (e ler) que a menina está soltando para que ele voe até o céu. Mas pode, como eu, repensar. Se ela está soltando o balão para voar ou pegando o balão que voltou. Interprete (a vontade, a figura, a palavra) como quiser. Eu acho que o desapego é uma forma de apego. É um apego orgulhoso, tem medinho de sofrer.
Quem pratica o desapego não quer dar sem algo em troca.

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