01/07/2011

eu ouvia

Djavan escorada na janela do ônibus. É, lembrei de você. Lembrei desse seu jeito, tão único. Lembrei do seu timbre, de como você balança o violão para lá e para cá, enquanto arruma a twitcam. Lembrei do seu sorriso e do modo como você pisca os olhos, rápido, dizendo ‘sim, sim’ com a cabeça, passando a língua entre os lábios. Presta atenção se distraindo.

Eu quase compro uma miniatura de baixo. Ia me presentear, comprar uma camisa xadrez quem sabe, e acabei me levando a você. A primeira vez de três em menos de duas horas. Precisava ver como meus olhos brilhavam diante da vitrine. Você ia me achar uma louca se abrisse a caixinha ou se chegasse a esse texto confesso.

Parafraseando Martha Medeiros, ‘eu gosto do estranho, do incomum. Gosto daquilo que confunde, que permite várias interpretações, que fica nas entrelinhas...’. O que não faz sentido algum casa comigo, já você casa com a que é quase igual a você.

Você não veria graça alguma no meu cabelo solto, na flor que enfeita o meu cabelo, meio de lado. Não veria graça alguma no meu som pesado, nos meus livros cheios de leis, na minha unha vermelha, até a minha unha expira luxúria. Mas eu aceito o pouco que seja de você, porque é um pouco que me faz muito bem, me faz vibrar.

Eu aceito que o meu cheiro não grude, que o meu telefone não toque, que a janela do msn não pisque. Eu aceito que você prefira tuitar para ela a conversar comigo. Aceito porque eu também tenho asas. Por que eu sei que em qualquer quarta-feira dessas, quando eu chegar – me anunciando ou não – o seu melhor sorriso é meu.

 
somos arquietípicos, ridículos, etéreos e nunca comuns. Comuns são os casais, nós não somos nada. Fernanda Young

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