05/07/2011

eu desci

aquela inclinação devagar, salto baixo, já não tremia como da outra vez. Olhei o palco e não o vi. Espera: aquele era seu lugar, aquele era o seu palco, o show é seu. Eu me sentei na mesma mesa, do outro lado. De vez em quando eu olhava o palco, como se isso fosse fazer com que você brotasse de baixo empunhado, exibindo seu melhor sorriso.

Você não sabe de mim. Não sabe os meus desejos e os meus medos. Contamos alguns quando nos conhecemos, quase amanhecendo, você lembra? Eu passava as minhas mãos nos seus cachinhos e me perdia nos seus olhos fixos no teto. Você queria se contar também.

Você não sente sabe quem sou porque não quer. Por que muito aconteceu, a vida brincou comigo e com você também. Você sabe lidar com arte, já eu adoro um amor inventado, parafraseando Cazuza. Parafraseando mais uma vez, eu não sei quais são as cores e as coisas para te prender. Precisaria?

Talvez o Caio (que não é o Caio F) esteja certo. Talvez seja só uma vontade de gostar projetada em alguém que eu admiro muito. Tomara que seja, estou com sintomas contrários. E se for? Ah, se for não se sustenta por muito tempo. Um sentir assim, unilateral, não. Vou por mim.


Anyway, me dói a possibilidade de um não, me dói a possibilidade de um silêncio, me dói não saber de que forma chegar a ele, sacudi-lo, dizer me olha, me encara, vamos ou não vamos nessa? Bueno, os dados estão lançados, e agora só me resta lavar as mãos sujas do sangue das canções. Caio F

Quantos?