16/07/2011

e de repente


eu me torno uma caricatura. Viro aquela pessoa que vive de alugar filmes para ver com o bichano, que esquenta lasanha no microondas e o tal do filme alugado é bem cult, para provar para eu mesma que sou uma pessoa antenada. Não assistiria uma comédia romântica para não chorar. Por que eu me escondo. E antes de dormir eu ouço Creep baixinho.

É que o dia foi de faxina. Uma vez a Fê Mello escreveu que a gente pode até varrer a sujeira para debaixo do tapete e amontoar a bagunça, mas não por muito tempo. Uma hora a gente abre a porta e tudo cai. Daí é preciso limpar a sujeira, limpar as feridas. Limpar a alma, fazer uma faxina no coração (e rápido, porque dá rato).

Eu tenho disfarçado o meu sentir imundo com cores fortes para ninguém perceber, mas abro as gavetas e jogo tudo no chão. Limpo tudo com álcool. Dobro o que preciso guardar. Vejo que vou usar com cuidado e reoorganizo o cômodo inteiro. A casa-alma toda. Não basta varrer e passar o pano molhado. Água, sabão e rodo. Até o cheiro da coisa muda.

Os vitraisamarelos, a partir dessa postagem, também estão faxinados. Não quero saber de quereres infundados, de palavras falsas. Nem sempre eu disse o que realmente sentia, disse o que eu queria sentir. E basta querer? Algumas peças não jogo fora, passando uma colinha aqui, uma tintazinha ali, crio um objeto único e belo. Que eu mesma agrego valor. Mas há caco que não dá para triar.

Termino o texto com aquela sensação de cansaço, com o suor e a fome de quem se esforçou o dia inteiro. Fez um sol lindo, mas eu não podia ir à praia e deixar a casa-alma de ponta-cabeça. Não mais. Eu não quero mais ver e viver na bagunça. Quero cada coisa em seu lugar, milimetricamente bem arrumado. É, posso estar cansada, mas estou também com aquela sensação maravilhosa de ver tudo brilhando.



Ou me quer e vem, ou não me quer e não vem. Mas que me diga logo pra que eu possa desocupar o coração. Avisei que não dou mais nenhum sinal de vida. E não darei. Não é mais possível. Não vou me alimentar de ilusões. Prefiro reconhecer com o máximo de tranqüilidade possível que estou só do que ficar a mercê de visitas adiadas, encontros transferidos. No plano REAL: que história é essa? No que depende de mim, estou disposto & aberto. Perguntei a ele como se sentia. Que me dissesse. Que eu tomaria o silêncio como um não e ficaria também em silêncio. Acho que fiz bem. Não só em relação a ele, mas a muitas outras coisas, quero que daqui pra frente a vida seja hoje. A vida não é adiável. Caio F

Um comentário:

Nati disse...

De preferência deixe as coisas bem claras. Beijo

Quantos?