22/06/2011

eu ando

com passos curtos e rápidos, seguro a bolsa firme e olho para os lados. Não estou sozinha. Esse meu andar um pouco trôpego, esse meu coração muito fragmentado, essa minha fé meia-tigela.

Minha vida é comum. E eu a amo. Eu amo me virar, eu amo me bancar, eu amo ser o meu desespero e a minha solução. Eu só não não sei viver sem ter carinho, é a minha condição (parafraseando Lulu Santos). No mais, o verbo é independer.

Eu independo de ‘eu te amos’ frágeis. Eu independo de demonstrações públicas de amor ?. Eu não pretendo ser uma foto enfeitando relacionamento. Eu quero ser real. Eu quero ser suspiro, olhos nos olhos, mão na nuca, beijo quente. Eu posso ser o espaço em branco.

A Ailin Aleixo uma vez disse: ‘nada, nem ninguém, arrancará de mim as sensações que me fazem ser quem sou (e que precisarei, sozinha, não destruí-las, mas lidar com elas). A obrigação de me salvar é absolutamente minha.’ -- perfeito não é?

- Eu adormeci o príncipe. Eu inverti os papéis. Eu o fiz espetar o dedo num espinho de uma rosa e cair em sono profundo. Era o meu presente. Beijei sua testa, o cobri com o lençol de seda, subi o vestido e montei o cavalo. Sou livre. -

Olho a rua da janela do ônibus e o vento embaraça meu cabelo. O vento é atrevido e também me reinventa.



Enriqueço na solidão: fico inteligente, graciosa e não esta feia ressentida que me olha do fundo do espelho. Ouço duzentas e noventa e nove vezes o mesmo disco, lembro poesias, dou piruetas, sonho, invento, abro todos os portões e quando vejo a alegria está instalada em mim. Lygia Fagundes

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