09/02/2011

eu abro os olhos

e a primeira música que ouço no rádio é a nossa. Mesmo antes de levantar e fazer a cama, mesmo antes de escovar os dentes e lavar o rosto. Você entrou na minha cabeça antes que eu pudesse bocejar e tentasse dormir de novo. Lembrei da gente deitado na rede, ouvindo essa e outras músicas que gravei para você. Só eu pensei em algo que você adora e que não seria demais.

Guardei os últimos três dedos do meu perfume. O cheiro que você amava sentir em mim, o cheiro que te ganhou. Ele ficou a sua, ou melhor, a nossa cara. Ontem fiz uma montagem com algumas das nossas fotos e ela ficou bem de plano de fundo, mas depois troquei a imagem. Eu hesito.

Antes de viajar fiz o cartão de afetividade da empresa e disse a um amigo que logo que completasse a promoção iria correndo te abraçar. Alguns planos estão vazios. Tento não fantasiar, ver as coisas como elas são. As pessoas não entendem como me prendi assim, logo eu, tão ‘mais em tudo’ do que você. É que eu costumo amar gestos, momentos, sorrisos. E também fui feliz.

Martha Medeiros uma vez disse que o amor acontece por empatia. Que se ama pelo cheiro, pelo mistério, pela paz ou pelo tormento. Ama-se o tom da voz, a maneira como os olhos piscam e a fragilidade inesperada. Exatamente isso: eu me apaixonei por um beijo sem fim, por uma voz preguiçosa, por um olho que fecha quando sorri.

Agora, tou indo. Remoendo... mas indo. Querendo saber o que está fazendo, nem que esteja só lotando o computador de programas pesados. Levo essa dor que é só minha nos ombros, sem ajuda, talvez como sempre tenha acontecido. Melhor. (...) até lembro de você me dizer que não é tão forte quanto eu penso e que também se aborreceu com minha desordem. Eu sei. Difícil ficar no meu canto. Difícil me colocar no seu lugar. Já não sei o que é verdade ou invenção.

2 comentários:

Natália disse...

Depois de tanto remoendo essa história, já não sei o que é realidade ou ilusão. Beijo, sorte

acorda-amor disse...

Tão leve, tão desabafo, tão verdadeiro. E mesmo que cause todo esse aperto no coração, ainda assim é bom!

Lorranny Berto

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