20/01/2011

ontem

minha irmã lia um conto de fada para minha sobrinha mais velha, que ouvia atentamente vestida de princesa. Eu observava, pensando: 'tadinha, aos 3 anos de idade acreditando em príncipes, princesas, castelos e finais felizes'. Eu não acredito. Eu não tenho mais 3 anos de idade, vou fazer 23. Mas não minto: tudo isso me fascinou até certo dia, quando eu já tinha adaptado a história de 1800 e lá vai bolinha às demandas atuais.

Já não esperava o homem loiro, de olhos claros e forte em seu cavalo branco. Em regra, loiros não me atraem. Não tinha um padrão de beleza física em mente e até gostava de pequenas imperfeições: uma barba falha, uma barriguinha de chopp, um olho que muda de cor. Não me importava se ele soubesse beijar bem, se fosse sincero e insistisse em ficar quando eu, birrenta, o mandasse embora.

Tenho duas Patrícias dentro de mim: uma mocinha e uma megera. Todas perfeccionistas, mas simples. Uma desejando alguém para contar como foi o seu dia, para ganhar um abraço e um 'eu te amo' antes de ir dormir. Alguém que a escute, mesmo que não a entenda. Que seja inteligente, que goste de filme em casa com pipoca e edredon, que a limpe quando estiver toda lambuzada de sorvete. Que diga que ela é linda quando acorda.

A outra não avalia conteúdo se a embalagem for convincente e descartável. Coleciona. Não lamenta. Quer mais é se dar bem, ter histórias engraçadas para contar. Sabe que a felicidade é mais do que vendem por aí: não precisa de carro, casa, um casal de filhos e marido tomando cerveja vendo F1. Felicidade é tomar banho de chuva na praia, é sair sem dinheiro e voltar bêbada, é fazer amizade no banheiro. É vencer sem alguém dar pitaco, é pagar as poucas contas com o próprio suor e se orgulhar disso.

Já fui menina, já fui princesa, já deu a louca na princesa, já fui Maria do Bairro. Agora preciso quero ser má. Egoísta. Egocêntrica. Estar em primeiro plano. Se eu não estiver em primeiro plano na minha lista, onde vou estar? E hei, não quero ser prioridade de ninguém! Desligo a TV e foco nos cadernos. Nada como viver ímpar, ser feliz ímpar, por mais que as propagandas digam que é par. Provar o contrário. E amar aquele instante frio, a meia luz, o livro e as idéias férteis em mente. Sorrir sozinha na rua, na parada, na Igreja, no clube. Estar aberta aos encontros, ao acaso e às diferenças. É essa a real, é o que eu vivo e no que acredito.
 

* Houve uma mudança de planos e eu me sinto incrivelmente leve e feliz. Descobri tantas coisas. Tantas, Tantas. Existe tanta coisa mais importante nessa vida que sofrer por amor. Que viver um amor. Tenho só um mundo pela frente. E olhe pra ele. Olhe o mundo! É tão pequeno diante de tudo o que sinto. Sofrer dói. Dói e não é pouco. Mas faz um bem danado depois que passa. Descobri, ou melhor, aceitei: eu nunca vou esquecer o amor da minha vida. Nunca. Mas agora, com sua licença. Não dá mais para ocupar o mesmo espaço. Meu tempo não se mede em relógios. E a vida lá fora, me chama! (Fê Mello - adaptado).

2 comentários:

Natália disse...

Na época da inocência acreditavamos em tudo, até que podiamos voar. Beijo

Daiiiiiia disse...

Estive pensando esses dias como seria se eu fosse má, egoista, egocêntrica.
De qualquer jeito a gente sempre leva um tapa na cara da vida né?

bjo guria

Quantos?