12/12/2010

não vou tentar... ♫

Conversava com uma amiga enquanto ela me passava um texto. Uma mensagem in off para o ex, uma tentativa de paz, bandeira branca estendida. Depois de tantos abraços, beijos, de carinho e aprendizado mútuo não era justo virar a cara, dizer palavras mal-ditas e forçar um ódio onde o amor ainda existe, apesar dos pesares.

Enquanto lia, chorava. Não pelo texto, pois já havia lido, mas pelo o que ela acrescentou. Já vivi o que ela está vivendo e a sensação que tive ao longo do dia inteiro é que me dei tanto aos outros que acabei me perdendo. Eu sinto falta de algo/alguém que nunca tive.

Não quis ir a um encontro com amigos hoje porque sabia que o Rafa ia estar lá, e acompanhado. Namoramos mais de quatro anos, tempão. Vivemos como um só. Dia desses respondi uma pergunta múltipla no meu forms que queria saber se eu já havia ficado com alguém na escada, na cozinha, na livraria, na praia, na fazenda. Abri o sorriso e lembrei dele. Mas ele ficou no meu passado.

Meu sentimento por ele foi denso. Tanto que eu o amei, sabia que o seu lugar não era ao meu lado, como se eu tivesse uma missão na sua vida e já estivesse cumprida. Ele precisava de novos ares, experiências, pessoas. Eu também. Antes, precisei ser correspondida à altura e não fui. Fui o apoio dele quando ele precisou, estava sempre lá. Mas não era uma prova de amor eu me controlar e deixar que ele pensasse por mim.

Sabia que ele era capaz de seguir sozinho, sem a minha bengala. E fiquei feliz por ver que hoje ele está melhor, mais realizado, que é outro homem, com a mesma essência. Não fui muito inteligente, mas fiz tudo o que quis e deixei o meu coração ser o meu guia. Namorei duas vezes e sabia de todo o começo, meio e fim. Ainda sou apaixonada pelo Lucas, mas 'tá tudo assim, tão diferente' (8).

Ele é a pessoa que fica na minha cabeça sempre, que eu lembro desde a música mais melosa à mais brega. Que me fez tomar porres e chorar horrores. E não saiu de mim, como acredito que não saí dele, apesar do vento ('atitudes, por favor. Palavra o vento leva'). Mas já não dói. Não dói ver outra beijar a boca que desejo, outra tocar cada curva imperfeita que eu insisto em querer. Não dói porque isso acontecia até quando pensei era exclusividade minha.

Chutei o balde. Aprendi a dançar na chuva, já que a tempestade não parava. Clarice uma vez disse que havia aprendido a dançar na chuva e que sua festa era a tempestade. Foi o que me aconteceu. Outros dias, novas pessoas, festas. Outra pessoa para me distrair, outro engano. Logo eu que havia feito promessas... logo eu, magoada demais para tentar tudo outra vez e tão rápido.

Inconscientemente era isso o que eu queria: atingir. Ele poderia me ver em outros braços, mas não seria o mesmo que sentir que o meu carinho, a minha atenção, os meus dengos agora eram de outro. 'E já foi' (8). Eu não admitia isso e caí na minha própria armadilha. Resistência inicial, depois entrega. Confiei e acreditei que poderia ser.

Ontem o Pedro me ligou. Disse que acordava e dormia comigo. Que sonhava comigo, o que nunca havia acontecido. Me chamou de minha neguinha, minha linda, meu amor. Falou que me amava, mesmo depois das barbaridades que eu disse na nossa última conversa. Fiquei muda. Sentia falta de conversar com ele, ele foi um companheirão, mas o que vivi e senti por ele não foi o suficiente para deixar o que aconteceu para trás e tentar outra vez.

Preciso me respeitar, preciso me amar antes de sair por aí procurando amores. Vou me distrair, vou beijar outros caras, ir para lugares diferentes, cumprir minhas metas, ganhar meu dinheiro... É agora que eu freio meu coração e deixo a cabeça tomar conta. E que a pessoa certa não venha agora. Cansei de ser a pessoa certa para a pessoa errada. Que demore. Tou de boa.

Me dói ver a Baylee passar por o que já passei, saber exatamente o tamanho da dor que ela sente e o fim da história. Eu a apóio em tudo o que ela decidir, racionalmente ou não. E torço para que ela seja mais feliz do que eu fui. Na verdade, somos um trio. Eu, Baylee e Kélvia. Tão diferentes e iguais ao mesmo tempo.

É um superpostdesabafo, mas não tou aqui para reclamar. Meus amores me machucaram, sim, mas também me fizeram sorrir, desejar, realizar. Foi um ano maravilhoso, rico, mas é a minha vez. Não vou sair por aí usando ninguém, não sou disso. Só vou pegar as minhas coisas e caminhar só. Não me siga, eu preciso ficar sozinha.*


minhas queridinhas sabem que estou sempre com elas, seja para beber ou para o que for!

** o título da postagem é de uma música do Muído, 'se você não vale a pena'. Foi uma das minhas duas inseparáveis que me mandou a música, e eu a encontrei antes de vir postar aqui. *.*

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