13/08/2010

implorado

Eu ando pelas ruas do centro e é como se você me acompanhasse com passos menores, parando para ver as coisas do Flamengo. Eu ouço uma música e você me lembra que a enviou para mim, por sms. Eu não me cuido direito e você reclama que tou perdendo peso, que não tou dormindo o bastante. Isso não acontece. Acontece? Você me faz falta, mas é como se estivesse comigo o tempo todo.

A verdade é que eu amo sua pressa de sair da aula para me ver, sua risada, rir com você, o jeito sério quando anda de moto (o joelho ralado de tanto cair também) e o seu cheiro de Portinari. Amo me esparramar em sua cama e como você briga com os mosquitos, dizendo que eu sou só sua. Ainda sou, por mais que o meu relacionamento no orkut diga outra coisa.

E daí? Quando estamos conversando fica tudo bem. Tudo bem até eu começar a falar bobagem. É bobagem dizer como eu me sinto, você sabe. Você sabe como fica uma pessoa depois que passa por tudo o que eu passei. Sabe? Sabia? Pois é, não falo mais nisso, embora tenhamos que conversar. Eu tenho muito a ouvir, quando se sentir à vontade para falar eu estarei aqui para te ouvir, mas ó, não demora não.

Não demora que a demora apaga o romantismo que sela meus olhos, que o tempo todo só me fez enxergar o melhor em você, o melhor que a gente viveu. As pessoas me lembram que não foi esse mar de rosas, acho que por isso você não se sente confortável comigo. Prefiro acreditar que é por isso do que pensar que você queria inflar seu ego. Eu amo você e dá vontade de implorar: por favor, me ama também. Dá vontade de dizer: veja como me esforço, como me esforcei... mas, sabe, sou discípula da Tati Bernardi, e concordo quando ela diz que amor não se pede*.

Não vou te falar mais nada, não vou dizer que penso em você antes de dormir ouvindo 'Onde estará o meu amor', que o número do seu telefone foi o primeiro que eu gravei no meu celular novo e que quando alguém me liga toca assim: 'Tudo se perde, se transforma, se ninguém te vê / Eu busco às vezes nos detalhes encontrar você / O tempo já não passa, só anda pra trás / Me perco nessa estrada não agüento mais'. Melhor você não saber dos meus sentimentos. Melhor não. Eu já falei demais, eu já agi por nós dois. Agora eu espero você vir, se quiser. Até mais.


* Amor não se pede, é uma pena. É uma pena correr com pulinhos enganados de felicidade e levar uma rasteira. É uma pena ter o coração inchado de amar sozinha, olhos inchados de amar sozinha. Um semblante altista de quem constrói sozinho sonhos. Mas você não pode, não, eu sei que dá vontade, mas não dá pra ligar pro desgraçado e dizer: ei, tô sofrendo aqui, vamos parar com essa estupidez de não me amar e vir logo resolver meu problema? Ele roubou sua leveza mas, por alguma razão, você está vazia. Mas não dá, nem de brincadeira, pra você ligar pro cara e dizer: ei, a vida é curta pra sofrer, volta, volta, volta. Porque amor, meu amor, não se pede, é triste, eu sei bem. É triste respirar sem sentir aquele cheiro que invade e você não olha de lado, aquele cheiro que acalma a busca. Tanto amor querendo fazer alguém feliz. Tanto amor querendo escrever uma história, mas só escrevendo este texto amargurado. É triste saber que falta alguma coisa e saber que não dá pra comprar, substituir, esquecer, implorar. É triste lembrar como eu ria com ele. Mas amor, você sabe, amor não se pede. Amor se declara: sabe de uma coisa? Ele sabe, ele sabe.

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