27/08/2009

A lenda da velha casa

Além das distantes fronteiras
Onde o sol intenso brilha ardente,
Num sertão clandestino, ouvia-se certa gente
Perder-se do destino entre histórias e lendas.
De crenças e temores nutre-se o nordestino
Certo de que se dá na terra o que na vida semeia.
Espanto tamanho me causava
A apontar-me, alerto, a velha casa,
A intrigar-me e a tornar curioso...
Que segredo, revelar-me-ia tal povo?
Ao relento que era assombrado
Respirava-se poeira no sobrado...

- Ô seu doutô dá licença de contá
Não que mi agrade, mas o tô vendo a suspirá.
Está vendo as cruiz nas porta?
É mode o diacho num voltá
Apesá de que a lá ninguém se astreve entrar.
Há muito tempo atrás, aí vivia um rapaz,
Que de tanto falar o nome mi falha
Vivia de renda, de disbuiá paia,
Era casado com a moça mais formosa da roça
Felicidade tamanha que aqui se atrapaia.

No momento que me descrevia ignorante
Fez-me hipnotizar num instante
No suspense que envolvia a aura deste,
Brilhante!

- Sempre di tem qui tê, alguém pra azará.
Seu cumpadi, amigo di tanta
Prezado, foi se apaixonar.
Só qui di modo indiferente,
Era brabo, num era gente!
Afamado na região...
Sua vida? Interrada toda na mão!
Era pego pelos coroné, era vilão
E deitado de rede, era capaz de durmino
Fazer terço, di tiro na parede, cigano em treino.

- Lá pelas tanta, no silêncio um alvoroço:
Na ausência do moço, envolvia-se a moreninha...
Amor di louco nela cegada.
Junto cum tal bandido fugiu na galopada.
Mesmo cum tempo qui passou, nas cunversa a redó...
Justo home, razão num lhe negava...
Mas, o porque do conto num incontrava,
Que, olhe! Taí... batido ni estaca.
É pra sabê seu dotor, qui a sina desse si completou
Na sombra do tal malvado
De repente qui li atirou cabeça no chão...
Um golpe di machado!
O pobre fincou as mão, antes de cair no barro
Que ficou na marca, pintado di sanguir
Os dez dedo lá, um desenho palro
E nem cum dez balde di tinta di compensa se apaga...

(...)

- Continua qui mal-amado,
Voltou in seu lugá assombrado,
Num li foi primitida a entrada do céu.
Só si fosse a degolar, numa vingança
Quem se astreve a lá entrar...
Espera ele todo no branco, cuspindo fogo,
Chorando água do mar, a lamentá.
Isso dotor acridite si quiser, é como no que disse meu vô
Mas amor di muié perversa é nisso qui dá.

Recolhi-me do orgulho, estremeci secretamente...
Era como o poder subconsciente.
Tratei de apertar o passo, não deixar nenhum espaço.
De volta às raízes, compreendidas.
Pobres, infelizes, temerosos, aprendizes.
Mero ser imaginário.

Pauta para o Blorkutando

13 comentários:

Natália disse...

Aaai ficou tão lindo *-*
beijos

Aline disse...

Ficou mesmo, manda pra uma editora porque com certeza dá publicação.

Beijos

Bill Falcão disse...

EIIIIIIIIITAAAA!!!! Qui história!
Vixe! Vôte!
Bjoooooooo!!!!!!!!

Dani disse...

"Mero ser imaginário."

Bom demáás!

Natália disse...

Desculpa, sei que é super chato isso o que eu vou fazer, mas não achei outro meio para divulgar a não ser assim, afinal tu lê o que eu escrevo e deve gostar.

Se possivel, visite por favor:
http://rapidoeindolor.blogspot.com/
http://diariovoador.blogspot.com/

Muito Obrigada! beijos :D

.Ná. disse...

Ô coisinha bonitinha, gente!
Beijos.

Sofia disse...

'ooi,
saudades de visitar seu blog. postei sobre o meu futuro (momento medium) lá no blog, dá sua opinião?'
Adorei seu texto, tá?
beijos,
Sofia
(http://pirulito-no-palito.blogspot.com/)

Loh_rayne disse...

vc escreve MUITO bem *-*

Stephanie Pereira disse...

encantador *-*

Sofia disse...

Oi, hoje é meu aviversário! Me dá parabéns! (http://pirulito-no-palito.blogspot.com/) É que eu tô muito feliz e recebi poucos parabén(s) no orkut, ai deprimiu.
beijos, Sofia (versão 1.4)

*desculpa o comentário, ctrl+c ctrl+v

Sofia disse...

-Amei o texto, e as riminhas *---*
-Tem selo lá no blog para os 50 primeiros que comentarem. Vai lá!
beijos,
Sofia
(http://pirulito-no-palito.blogspot.com)

Olga disse...

adorei :)
desculpa a demora. demorei a postar. rs

Maldito disse...

Muito excelente,..achei um texto bem honesto.!
Inté!

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