21/07/2015

Eu sempre penso

naqueles dias. De quando eu pedia o mesmo sorvete que você, de como eu me viciei naquele pastel de carne de sol, daquela pastelaria simples da rua escura. Da fome que me dava depois de me saciar de você. De como todo momento com você era especial e finito. Por você eu viajei quilômetros, eu mudei de cidade, eu insisti sabendo que o fim seria breve e a dor não.

Eu sempre penso na espontaneidade do seu sorriso quando nos conhecemos. Eu sempre penso nas nossas lágrimas nas últimas horas. Na covardia dos atos, no nó que ficou na garganta após eu engolir o choro. Na mentira que é eu dizer que estou muito bem, obrigada. Eu sempre penso na gente rindo um do outro sem motivo. Eu sempre penso que você lembrava disso com amor. Amor?

Eu me via em você, eu me via ali no fundo dos seus olhos. Eu não precisava falar, você também não. No momento exato, as palavras sumiam no aperto dos abraços. O seu abraço era o meu porto seguro. Eu devia ser o meu próprio porto seguro. Eu confiei em você. Eu confiei nos espelhos, nos cafunés e nos áudios desafinados, onde cantamos que não viveríamos um sem o outro.

Eu sempre penso em me afastar, por tudo que não dá, que não deu. A certeza de que tudo passa me conforta e enquanto não passa eu me dilacero. Eu sei que não vamos mais ficar juntos, mas eu sempre penso em ter você aqui, deitado de conchinha comigo. Trazer pra perto, sentir o cheiro, amar e errar muito. Não, não mais. Boa noite.

30/05/2015

Você chegou

sem nenhuma pretensão, saiu, voltou, e fica. Eu refiz o texto e a minha vida para você ficar. Eu quero dividir com você alguns planos breves e uma cama pequena. Eu secretamente faço planos à longo prazo e nos vejo numa ‘king size’. E é seu o meu coração inseguro e o meu pensamento mais recorrente.

Eu encaixo o meu corpo no seu e olho fixamente nos seus olhos. Quando você acaricia meus cabelos e o meu rosto, eu sinto que é reciproco. Que a minha vontade de permanecer ali por algumas horas é a sua. Que naquele instante nada mais importa.

Depois de colocar a sua mão no meu peito, eu pude respirar fundo e me acalmar aos poucos. Você não precisa fazer nada, te ver seguro me passa segurança. Como canta Lenine, “me traz o teu sossego, atrasa o meu relógio, acalma a minha pressa...”. O amanhã é incerto, mas o hoje é certo. Nosso tempo é presente e infinito.

Eu olho pra mim e sinto sua falta. Eu gosto quando você fala qualquer coisa e aperto o ‘play’ novamente. Eu gosto da sua voz, eu sinto saudade quando ainda estou perto. Eu agradeço por não ter desistido de mim e espero que também seja grato. Quando fechamos nossos olhos e nos beijamos tudo faz sentido.

Eu escolhi alguém que caminha ao meu lado, mesmo com o tempo e a distância insistindo em nos levar para outros lugares. Eu escolhi alguém que procura entender minhas fraquezas e se desculpa sem saber por quê. Eu escolhi alguém que desata um nó e faz um laço.

Eu escolhi alguém que me faz carinho enquanto dirijo, que implica com o meu time e que me assanha, que combina nossas bagunças. Eu escolhi o querer que supera as intrigas do mundo e que me abraça como sou, que eu desejo como é. Já diz o ditado: ‘Quando o amor é mais forte que a opinião dos outros, ele dura’.

Obrigada por me reconhecer no meu pior momento, obrigada por não me deixar desabar. Obrigada por entender que não é fácil, mas vale a pena. Eu quero paz, eu quero você, eu quero acordar e te ver ao meu lado muitas e muitas vezes. Eu quero o conforto que só o seu colo me dá. Eu quero estar sempre contigo e esquecer todo o mal que existe.

17/01/2015

Sinto sua falta

Eu sinto sua falta debaixo do chuveiro. A água cai e eu não sei o que é água, cloro ou lágrima. Não chegamos a tomar banho juntos. Sinto falta do que não aconteceu. Na terra, no céu, no ar também.

O tempo não parou. Cada batida do ponteiro dói. Eu fiquei aqui, você sepultou a esperança que velo no sétimo dia. Não vou te ligar por causa dos impostos, valem mais do que meus sentimentos. Já inventaram aplicativos para facilitar a comunicação, mas não para que o outro verdadeiramente se importe com o que digo.

Parece se importar quando pergunta como foi o meu dia. Como um amigo que não foi. Como existiu sem rótulo? Nunca foi amigo nem namorado. É ex o quê? Está no passado ou no presente? Não preciso ser astróloga para saber que não estará no futuro.

Sei que não preciso me prender. Estou presa por vontade, não a você que já foi, mas ao cursor, às músicas, aos filmes, ao pijama, aos livros de cabeceira. Aos chocolates, refrigerantes e algumas lembranças. Lembrança de você dizer que está passando da hora de cortar as guloseimas.

Sento no sofá e ligo a TV. Em São Paulo chove, falta luz, há uma seca maior do que a daqui. Será que as janelas estão fechadas? O que você fez para jantar? Paredes pintadas de verde, a bagunça em cima da cama ocupando o meu lugar. Eu seria feliz nesses cômodos.

As ruas daqui projetam filmes: Você me esperando na esquina, você me colocando no banco do passageiro, pois eu estava de porre. Você se perfumando, eu vestindo sua camiseta. Seu cheiro em mim. Você segurando a minha mão no restaurante, você distante olhando o celular. Você com o meu violão empunhado, o cabelo grande e a barba por fazer. Eu me vi querendo tanto...

Ainda é 2014, não adianta o calendário me dizer o contrário. Eu sinto sua falta e sinto falta de mim, de quem eu era antes de você, de quem eu era antes do outro. Eu me perdi em algum ponto, perdi o meu coração e a minha cabeça. É no meu canto que procuro me encontrar.

Você está bem, você não me esqueceu, você não sente saudade. Você não me amou, eu não amei você. Encaixamos bem nossos corpos, não nossas vidas. Eu te disse sim, você me disse “tanto faz”. Não foi fácil. Foi ego, foi dor, não serviu, mas não me impede de sentir sua falta.

Levo comigo a dúvida entre olhar seus olhos ou a lua. Levo comigo meus pés suspensos pelo seu abraço forte e seu sorriso largo. Levo comigo os acordes sertanejos desafinados. Levo até andar numa via de mão-dupla. Levo até alguém que seja fácil e bom. Até esse alguém que eu não preciso convencer que valho a pena. Ele não terá dúvidas, vai saber que sou eu. Que sou apenas eu.

11/04/2014

12/06/2012

dia dos namorados, nosso dia


Eu poderia relatar o dia dos namorados, o nosso dia juntos. Mas todos os dias somos namorados, mas estamos juntos e não estamos perto. Aí fico aqui me perdendo no texto, vendo todo tipo de propaganda e reportagem, com um presente no colo, quando queria estar no seu. A distância não é tão grande, mas ainda impede um abraço e uma noite de beijos.

O que me importa, na verdade, não é imagem no mural, declaração feita, presente caro. O que me importa foi o sorriso que me acordou, é vez em quando acordar com uma ligação que diz "bom dia meu amor". O que me importa não é um roteiro de novela, é a nossa história, que é cheia de erros e acertos, mas é a nossa história e eu não a troco por nenhuma outra.

Pensei em escrever, por minutos a tela estava branca e cursor piscando. Não que me faltassem ideias, mas que eu me perdia em lembranças, lembranças maravilhosas de nós dois, de eu e você pelos cantos da casa, pelos cantos da cidade. De como você me olha, como você brinca, como você teima e como você me surpreende. Quando eu menos espero, você me prova.

Eu não queria um jantar à luz de velas, eu não queria sair pra badalação. Se eu tivesse você aqui comigo hoje, eu queria sentar naquele banquinho da praça. Naquele banquinho a gente namorou, fez as pazes e conversou tantas vezes. Eu queria o friozinho de nossa Catarina e um pouco de chocolate ou sorvete, só para você pedir minha atenção, não aceitar me dividir.

Outro dia eu estava tão feliz que quase não consigo dormir. Acho que tudo tá dando certo para mim. Ter você ao meu lado, poder contar meus planos, meus segredos e dividir isso com você é a melhor parte. Por que sei que ao me ouvir gargalhar do outro lado da linha, você vai sorrir também.

Espero que esse seja o nosso primeiro dia dos namorados, de muitos. E que nos próximos, eu possa dizer algo como isso olhando os seus olhos e rindo o seu riso. Te amo muito. Muito mesmo. E muito mais do que você me ama, nem discuta!

Obrigada por insistir na gente, mesmo quando eu teimava em dizer não. Você sabe que eu não vivo sem você.

E não tem vacilo, nem engano, que estrague nosso plano
isso é se for, aquilo que chama AMOR ♪

Só pra terminar, um trechinho da Fernanda Mello (adaptado):

"Eu não acredito no amor como falam por aí. Eu acredito em nós, acredito em mim e em você. Eu acredito no que somos e no que sentimos quando estamos juntos. Eu não acredito no amor que leio nos livros, um amor perfeito e sem desculpas. Eu acredito no que sinto quando olho pra você. Será que isso só não basta?"

Espero que sim. Espero que eu seja mesmo isso que você diz que sou, tudo o que você sempre quis.

Já disse que eu te amo hoje?

Quantos?